Ryanair prevê ganhar “guerra de preços” que virá com a recuperação da aviação

Michael O’Leary, CEO da Ryanair, avança estar a preparar-se para uma guerra de tarifas baixas que prevê ganhar, uma vez que as restrições a viagens sejam levantadas e que os passageiros voltem a planear as suas férias, afirmando que “seja 9,99€, 4,99€, 1,99€ ou 99 cêntimos, nós praticamente não nos importamos com o preço”.

Numa conversa com a Reuters, o responsável afirmava pôr de lado as previsões de uma recuperação lenta do sector do turismo, em particular do da aviação, e esperar uma rápida retoma do tráfego aéreo. Acredita que a contrapartida será, contudo, uma queda de preços abrupta, que as companhias aéreas tradicionais, agora à procura de apoios, terão dificuldade em acompanhar.

A visão de Michael O’Leary contrasta com a partilhada pelos seus colegas na aviação, bem como de analistas, fabricantes aeronáuticos e da IATA, que esperam um regresso lento à normalidade, com a indústria da aviação a atingir os valores ditos normais apenas em três a quatro anos. Estima que as restrições comecem a levantar em Junho, momento em que retomaram as viagens regionais na Europa, impulsionadas por grandes descontos de última hora para férias em Julho e Agosto.

O’Leary assegura que muitas das pessoas que estão agora fechadas em casa “vão querer fazer férias antes que os miúdos regressem à escola, desde que o possam fazer com medidas de segurança razoáveis”. A Ryanair apoia medidas de combate à propagação do vírus, como a utilização de máscaras e luvas e medição de temperatura dos passageiros e tripulações, mas rejeita a proposta “louca” de voar com a capacidade dos aviões a um terço, deixando os assentos do meio vazios.

Em breve “o tráfego regressará ao normal, mas com preços mais baixos”, explica o CEO da companhia aérea, que avança que “o minuto em que pudermos voltar a voar é o minuto em que vamos começar a fazer descontos, e o mesmo farão as outras companhias aéreas”. Acredita, também, que o modelo de negócio e equilíbrio financeiro da empresa permitem que a Ryanair esteja mais bem preparada para uma recuperação com tarifas reduzidas.

Michael O’Leary estima que esta guerra por tarifas baixas dure todo o exercício de 2020, com as tarifas a apresentarem melhorias apenas no próximo ano. “Seja 9,99€, 4,99€, 1,99€ ou 99 cêntimos, nós praticamente não nos importamos com o valor – a nossa prioridade a curto-prazo é fazer dinheiro para que os nossos pilotos e tripulações voltem a voar e para que os nossos aviões regressem aos céus”, explicava o profissional à Reuters.

Por outro lado, O’Leary prevê que 2021 seja um ano de crescimento para a companhia aérea, sendo que “as tarifas podem estar mais baixas, mas os custos com o combustível estarão ainda abaixo”, ao passo que os aeroportos reduzirão as taxas para encorajar o crescimento do tráfego. Numa outra nota positiva, o responsável acredita no “enorme potencial” do Verão 2021, pois os clientes vão querer compensar as férias que não fizeram em 2020.