Sem vendas, turismo está preocupado com o Verão

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal afirmou estar “muito preocupado” com o Verão. Uma preocupação quem tem vindo a manifestar várias vezes e que o levou já a afirmar que “o turismo está nos cuidados intensivos e não tem ventiladores”.

Esta quarta-feira, após a reunião entre as confederações patronais e o primeiro-ministro em São Bento, o presidente da CTP manifestou a sua grande preocupação com o que poderá acontecer neste Verão com o sector do turismo, tendo em conta que 90% das empresas têm “vendas zero” para os meses de Abril e Maio.

“Em Março, praticamente, tivemos quebras de 50% em toda a actividade. Em Abril e Maio, mais de 90% das nossas empresas vão ter vendas zero”, declarou Francisco Calheiros, adiantando que para já ninguém consegue saber quando se pode ultrapassar esta crise provocada pelo surto do novo coronavírus.

“Já tivemos o problema da Páscoa, mas estamos bastante preocupados com o que pode acontecer no verão”, declarou, considerando que se os números da doença se mantiverem até final de Abril “com calma e com segurança, com disponibilidade de equipamentos de protecção, devemos reabrir a actividade”.

“No turismo devemos ser criativos. Por exemplo, admite-se que só seja ocupada uma parte da capacidade instalada e, por outro lado, que se recorra ao serviço de quarto nos pequenos-almoços e não numa sala comum”, acrescentou.

Recorde-se que já no passado dia 8 deste mês, em entrevista ao Jornal das 8 da TVI, o presidente da CTP tinha deixado claro que gostava que houvesse alguma actividade turística durante a época de Verão, muito embora tivesse admitido que o regresso a uma maior normalidade apenas deverá ser possível no Verão de 2021.

Numa entrevista em que também se debruçou dobre o grande problema das “vendas zero”, Francisco Calheiros diria até que, no momento presente, “o turismo está nos cuidados intensivos e não tem ventiladores”. Tanto assim que, embora tivesse lembrado a resiliência do sector e que esta crise, como qualquer outra, não vai durar para sempre, fez notar que, até que ela termine, vai haver empresas que “vão ficar pelo caminho”.