Suspensão dos voos da China causa “surpresa” ao presidente da APAVT

“Mais do que directamente para as agências de viagens, o anúncio de suspensão do voo entre a China e Portugal pela Capital Airlines tem um impacto nas relações do turismo entre os dois países, já que um voo directo é uma ‘arma’ que faz toda a diferença na aproximação dos dois mercados”, declarou ao turisver.com o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira.

A companhia aérea chinesa Capital Airlines está a notificar os seus passageiros que suspendeu, entre Outubro e Março, o voo directo entre a China e Portugal, que celebrou no mês passado o primeiro aniversário.

Ao comentar esta decisão, Pedro Costa Ferreira refere que “sendo a China o primeiro mercado emissor mundial e, tendo em conta que estamos a falar de uma região do mundo conhecida pela paciência como toma as decisões, ainda se torna muito mais desagradável, o que pode indiciar alguma coisa na estratégia global”, para acrescentar que “esperamos, como foi noticiado, que no próximo Verão IATA, esses voos sejam retomados”.

“Surpresa” é como o presidente da APAVT classifica esta tomada de decisão. “Não tínhamos qualquer indicação e não temos qualquer informação sobre uma possível desistência desta rota, tanto mais que o conhecimento que tínhamos dos voos é que o seu preenchimento estava acima dos padrões do razoável, ou seja mais de 80%”.

Pedro Costa Ferreira garante que “o turismo em Portugal estava já a sentir os efeitos desta rota, uma vez que a ocupação dos voos era feita sobretudo por cidadãos chineses”, realçando que “a casa de partida ainda é diminuta, mas não podemos esquecer que o mercado chinês tem um potencial extraordinário e um grande significado a médio prazo. Portanto, é um sentimento de perda”.

A suspensão desta operação durante o próximo Inverno IATA foi confirmada através do correio electrónico enviado pela empresa a uma passageira. No entanto, a empresa não avançou os motivos, alegando apenas “razões operacionais”

No primeiro ano desde que começou a voar para Portugal, a Capital Airlines transportou mais de 80 mil passageiros, segundos dados divulgados por altura do aniversário. A taxa média de ocupação do voo fixou-se nos 80%, nos meses mais fracos, enquanto na época alta superou os 95%. O voo, que tem três frequências por semana, entre a cidade de Hangzhou, na costa leste da China, e Lisboa, com paragem em Pequim, arrancou a 26 de Julho de 2017.

A Capital Airlines é uma das subsidiárias do grupo chinês HNA, que enfrenta uma grave crise de liquidez, depois de ter fechado o ano passado com uma dívida de 598 mil milhões de yuan (cerca de 77 mil milhões de euros), de acordo com os dados divulgados na apresentação dos seus resultados anuais.