Tarifas aéreas: viajar vai ser mais caro no pós-Covid

No mundo pós-pandemia terá que se “olhar para o futuro como um novo recomeço”. Esta foi uma das mensagens deixada por Ricardo Dinis, director regional da TAP para o Reino Unido e Irlanda no webinar promovido pela ARPT do Alentejo, onde falou de aviação e da TAP, de regras de “safety” e de restrições na taxa de ocupação dos aviões, o que levará a um previsível aumento de tarifas.

No estranho mundo e que os governos aconselham as pessoas a ficarem em casa e onde as companhias aéreas estão “praticamente paradas” e “o turismo parou completamente”, viajar é algo que não se sabe quando vai voltar a acontecer “Estamos a entrar numa recessão económica a nível mundial que não tem qualquer comparação com o passado recente e teremos que olhar para o futuro como um novo recomeço”, apontou o director regional da TAP para o Reino Unido e Irlanda, na conferência online promovida pela Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo que versou sobre os mercados emissores.

A luz que se vai deixando ver no fundo do túnel é ténue, embora tudo aponte que em Maio sejam retomadas as ligações entre o Reino Unido e Portugal, mas lentamente: “a British Airways vai manter dois voos por semana para Lisboa até ao fim de Maio, passando a voo diário a partir do fim de Maio”, avançou o responsável, indicando que “a easyJet  tem 2 voos abertos a 30 de Abril e 2 de Maio, mas depois tem todos os voos em sold out até 18 de Maio, altura em que começa a ter voos disponíveis”, enquanto a Ryanair “tem apenas 1 voo por dia até 7 de Maio, depois retoma os 4 voos por dia de Stansted”.

Quanto à TAP, está a planear dois voos por semana, entre 7 e 17 de Maio e a partir daí, 1 voo por dia até ao final de Junho. “Depois a retoma será feita muito lentamente”, sublinhou o director regional no Reino Unido e Irlanda, acrescentando que “o processo de reabertura de rotas vai ser muito lento e muito baseado na procura”, o que significa que as rotas comercialmente não rentáveis não serão retomadas – e entre elas poderão até estar algumas que ainda há meses tinham rentabilidade. É que nenhum turista quererá voltar a um destino de onde foi difícil regressar ou onde os cuidados de saúde são muito deficientes.

Considerando prematuro falar sobre o regresso à normalidade, disse adivinhar-se um aumento tarifário, fruto da fraca procura, da exígua oferta e dos procedimentos de segurança que as companhias aéreas terão que implementar. Porque o “safety first” irá ser o “novo normal”, as transportadoras terão que se adaptar. Na TAP ainda não estão definidas directrizes ao nível das políticas a implementar a bordo. “Para já, as indicações que a TAP tem, e que tem acontecido nos voos de repatriamento, é que seja apenas ocupado um terço do avião mas não há garantias de que venha a ser assim no futuro”.

O responsável indica que o que já se fala entre as companhias aéreas é “a possibilidade de haver restrições em termos de espaço”, nomeadamente “deixar vago o lugar do meio” quando os aviões tiverem uma configuração de 3 lugares de cada lado do corredor. Uma medida que “terá um impacto grande nas tarifas” porque o “grau de rentabilidade num avião que transporta 60 passageiros tem que ser o mesmo de um avião que transporte 100”, explicou. Portanto, concluiu “se isto acontecer, será normal esperar uma subida de preços”.

Viajar vai, assim, ficar mais caro e também não é expectável que as taxas aeroportuárias desçam, até porque os aeroportos terão também que vir a implementar medidas suplementares de segurança sanitária, sejam sensores de temperadora ou realização de testes aos passageiros.