Tourism Talks: “Não podemos destruir todo o tecido empresarial que gira à volta do turismo”

Considera-se um optimista por natureza mas com “zero de facturação” e sem uma perspectiva nítida sobre o futuro próximo, a não ser a de que “as DMC vão demorar a retomar a actividade”, João Moita, CEO da Citur, não esconde a sua preocupação com a situação actual do sector e afirma que vai haver necessidade de apoios para a retoma até porque “se o turismo não retoma, o país também não”.

“Esperávamos um bom ano” mas “estamos com zero de facturação”. Foi com estas palavras que o CEO da Citur justificou a sua preocupação com a actual situação em que se encontra o sector. João Moita falava, na sexta-feira passada, na segunda edição das Tourism Talks da agência de comunicação Message in a Bottle, que versou sobre o futuro da distribuição turística.

“Estamos perante uma paragem forçada e uma crise sem precedentes”, disse, deixando claro que de nenhuma forma este será um ano positivo para aqueles que trabalham no incoming e que, à semelhança da Citur, estarão parados a nível operacional desde 16 de Março e em lay-off, mas garante que “parados, não podemos continuar”, se calhar “vamos ter que nos reinventar”, o que “para o turismo não é nada de novo”.

Os últimos anos foram de ganho de escala no sector e agora “há que manter a oferta turística a todo o custo”, uma oferta que “mais do que duplicou” neste período e que não foi destruída. “Nós não sofremos um terramoto nem um tsunami e não caiu aqui uma bomba, por isso toda a nossa infra-estrutura e o nosso destino estão intactos” e “nos últimos três anos foi considerado o melhor destino turístico do mundo”, sublinhou.

No meio das muitas incertezas, João Moita tem uma certeza, a de que as DMCs vão demorar a retomar a actividade e não dependem apenas de si próprias para isso. “Enquanto a mobilidade não retomar, os aeroportos não abrirem, as ligações aéreas, os hotéis, os equipamentos, os restaurantes não abrirem, não podemos operacionalizar reservas porque não temos nada para vender”, aponta, frisando que “temos que estar preparados para podermos ser rápidos a agir aquando da retoma”.

Outra certeza é a de que “necessitamos de ajuda” dos parceiros, dos governantes, dos políticos e do país, num sector que, ao longo dos últimos anos, foi o grande motor da economia. Isto porque o sector é maioritariamente composto por PMEs com uma “almofada financeira muito limitada”.

“Prolongar o lay-off é indispensável” como necessária é, também, uma maior flexibilidade laboral, o reforço da dinâmica na captação de eventos e congressos, a diminuição dos custos de contexto, a resolução do já antigo problema do IVA na Meetings Industry, mesmo apoios a fundo perdido, como os que existem para outros sectores da economia, porque “se o turismo não retoma, o país também não”, atendendo aos efeitos multiplicadores desta actividade. Por isso “não podemos destruir todo o tecido empresarial que gira à volta do turismo” até porque “vamos precisar dessas empresas para continuar a trazer turistas para Portugal”.

Na retoma, o mercado interno tem importância, e o CEO da Citur está longe de a retirar, mas também garante que está longe de chegar, até pela situação económica débil em que já se encontra uma grande parte dos portugueses, devido aos cortes nos salários, ao lay-off e mesmo ao desemprego.