Tourism Talks: Portugal poderá receber turistas germânicos ainda este Verão

Para o CEO da Olimar, Markus Zahn, o presente é de preocupação porque “não temos negócio”, no entanto acredita que “vamos continuar a viajar como antes” apesar de talvez só a partir de 2022, e até acha possível que ainda este Verão Portugal possa receber alguns turistas germânicos individuais. Por isso, no presente e no futuro, os agentes de viagens continuarão a ter um importante papel a desempenhar.

Na Alemanha “Portugal tem uma imagem muito positiva”, relacionada com a segurança, com a natureza e com a qualidade” e que agora até saiu com esta imagem reforçada pela forma como está a ser tratada a pandemia. Quem o afirma é Markus Zahn, CEO da Olimar, um operador especializado na venda do destino Portugal nos mercados germânicos, principalmente Alemanha e Áustria mercados onde o destino “é reconhecido pela natureza, a gastronomia, a variedade de produtos, os hotéis pequenos…”, frisando, a propósito, que essa qualidade pela qual o destino é reconhecido não pode ser perdida.

Na segunda edição das Tourism Talks da agência de comunicação Message in a Bottle, que versou sobre a distribuição turística, Markus Zahn sublinhou a ideia que, em termos do destino Portugal, o Algarve talvez seja a região que venha a ter um despertar mais lento junto do mercado alemão, por estar associada à ideia de resorts maiores, de uma maior densidade populacional e pressão turística no Verão, a uma imagem de praias cheias. A ideia de Zahn não surpreende, já que “só 35% dos alemães que faz férias em Portugal escolhe o Algarve”.

Outra vantagem de Portugal é que uma parte considerável dos turistas germânicos que vêm de férias são clientes individuais e o CEO da Olimar acredita que as viagens individuais vão recuperar primeiro. Já as viagens em grandes grupos e os cruzeiros terão um caminho ais longo até à retoma.

Certo é que, refere, uma sondagem recente dava conta que 46% dos alemães gostaria de fazer férias ainda este ano. Só que há uma grande diferença entre o gostaria e o vamos fazer e é no campo da realidade que o CEO da Olimar não esconde a sua preocupação “não tanto com o vírus porque a situação parece estar a ficar controlada, mas estou muito preocupado com a situação da economia” porque os alemães, tal como os portugueses, estão confinados, muitos em lay off, com salários cortados pelo que “o dinheiro para comprar viagens vai ser reduzido nos próximos anos”.

Ainda assim, acredita que “a partir de Julho ou Agosto já vamos ter algum turismo da Alemanha, Áustria e Suíça para Portugal”, embora residual até porque “em 2021 estou a contar, no máximo, com 30 ou 40% do negócio que tivemos em 2019 para Portugal”, ou seja, “temos que contar com menos clientes”.

“Vai demorar tempo mas a partir de 2022 ou 2023, viajar não vai ser muito diferente do que conhecemos”, pelo que, assegura, “os agentes de viagens continuam a ter futuro”. Dito isto, assume que também no presente os agentes de viagens têm um importante papel a desempenhar, que é o de incutirem confiança nos seus clientes e de lhes explicarem as condições dos destinos, nomeadamente em termos de segurança sanitária.