Tourism Talks: “Temos que nos “contagiar” positivamente para agir”

A afirmação é de Jorge Vinha da Silva, CEO da Altice Arena e vice-presidente do Capítulo Ibérico da ICCA (Associação Internacional de Congressos e Convenções) que considera fundamental que o foco do trabalho na área da Meeting Industry não seja colocado no ano de 2021 e seguintes. “Se for possível fazer coisas mais pequenas ainda este ano, nem que sejam eventos híbridos, devemos fazer”, diz.

Jorge Vinha da Silva falava, no passado dia 1 de Maio, na 3ª edição das Tourism Talks, que a agência de comunicação Message in a Bottle dedicou à Meeting Industry, onde disse que na Altice Arena, que habitualmente realiza cerca de 150 eventos por ano na área do entretenimento mas também muitos eventos, congressos e reuniões na área da MI, “o primeiro semestre ficou completamente reduzido a “zero” num ano que se esperava muito bom, na sequência dos dois anos anteriores” que foram “os melhores de sempre” para a actividade.

Para o recomeço da actividade, não aponta datas até porque considera que tudo se desenvolverá em várias fases e a actual é ainda a “do medo e da incerteza”, marcada “pela impossibilidade de operar”. Considera, no entanto, que “no segundo semestre vamos começar a entrar numa fase de transição” que irá estender-se até ao final do ano e em que “a palavra-chave é cautela porque ninguém sabe como vão correr estes testes” de reabertura. Ainda assim, vê algumas vantagens no caso de Portugal que foi o último país a entrar na pandemia, pelo que haverá países a ensaiar primeiro “algumas medidas mais libertadoras da actividade”, podendo o nosso país beber um pouco dessa experiência.

De uma coisa diz estar certo: passada esta fase de transição, “a Meeting Industry vai continuar a existir porque nós somos humanos, precisamos de nos reunir, de conversar, de interagir, de criar empatias” o que só se consegue de modo efectivo “se olharmos nos olhos uns dos outros”. Frisa, a propósito, que “uma das partes principais de um congresso ou incentivo tem a ver com o aproveitamento da interacção e das relações pessoais”.

Admite que juntar pessoas não vai ser possível numa fase mais imediata, tanto porque não há ligações aéreas que permitam eventos internacionais e porque não é recomendado em termos sanitários mas principalmente porque “a confiança foi fortemente abalada”. Mas sugere que “ainda há muito para fazer em 2020” e “enquanto indústria, não podemos perder essa oportunidade”. Frisa mesmo que “todos, no sector, têm a obrigação de não focar a mensagem apenas em 2021”, ou seja, “se for possível fazer coisas, ainda que mais pequenas, e de forma diferente, caso dos eventos híbridos, devemos fazer”.

“Penso que no último quadrimestre do ano vai ser possível começar a termos algumas actividades, embora em condições diferentes do que acontecia até Março e é nesse foco que coloco a comunicação” diz, reforçando que “seria um erro o turismo esquecer que ainda há muito para fazer em 2020” na certeza de que “é melhor ter muitas coisas, embora mais pequenas, do que não ter nada”.

O processo de retoma, diz, será evolutivo, mas “temos todos que começar a fazer esse percurso” até porque “nenhum de nós, neste sector, pode ficar em casa um ano”, afirma, o que significa que “não podemos ficar resignados à espera”. Por isso, garante, “temos que nos contagiar positivamente para agir” tendo como mindset as possibilidades que este ano ainda pode trazer.

Os chamados eventos híbridos que aliam a presença física de alguns à presença virtual de muitos mais, poderá ser uma resposta, principalmente nos tempos mais imediatos, mas o CEO da Altice Arena faz questão de sublinhar que não é a mesma coisa e que, neste caso “a palavra-chave é percentagem”. E explica: “estamos ainda na fase do medo em que é tudo digital, vamos passar para uma fase de transição em que vamos ter eventos híbridos – e já tivemos dezenas no passado -, uma fase em que o mix é uma percentagem muito mais elevada em que haverá mais pessoas no digital do que no físico, pelas limitações que temos”. Já a médio e longo prazo tudo se passará por uma “lógica mais tradicional” utilizando, no entanto, as tecnologias para “transformar um grande evento nacional ou europeu com uma lógica presencial de proximidade num grande evento de todas as geografias”.

Alertando que “um evento 100% digital não vai gerar receitas na hotelaria nem no F&B”, sugere que “quando conseguirmos retomar a totalidade da experiência física vamos poder potenciar ainda mais o destino, adicionando novas fontes de receita aos eventos que já existem”.