Turismo de massas pode ter os dias contados

Esta é, pelo menos, a opinião do secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, que em entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, sugeriu que a pandemia pode conduzir ao fim do turismo de massas.

Considerando que a recuperação dos fluxos turísticos anteriores à pandemia “levará tempo” e dependerá da evolução do vírus, o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo deixou claro que, entre todas as incertezas que existem ainda, a única certeza é a de que, nos próximos dois anos, “nenhum país terá o problema de turismo excessivo”, pelo que, acrescentou, este período de tempo deve ser aproveitado para repensar o modelo do turismo.

“O turismo é uma fonte de riqueza muito importante, mas causa problemas de coexistência quando é excessivo”, afirmou. Por isso defendeu que “neste momento é uma boa altura para cidades e países afectados pela massificação perceberem os erros que cometeram e repensarem o seu modelo de turismo”.

O responsável disse também acreditar que a situação pandémica irá provocar o rejuvenescimento do perfil dos turistas. E justificou: “A partir de agora, os jovens viajarão em detrimento dos mais velhos, mais vulneráveis ao vírus”, o que irá obrigar as empresas a adaptarem-se a este novo modelo.

Recuperar a confiança dos turistas e assegurar a sua confiança são, para o responsável da OMT, as duas grandes prioridades do momento actual. Já quanto a viagens, disse ser seguro fazê-las na Europa, mas desaconselha ainda viajar para os Estados Unidos e a América Latina, por exemplo, e lembra que há ainda regiões do mundo que permanecem fechadas ao turismo, como é o caso da China e da Rússia.