Turismo de Portugal quer lançar rede para Turismo Industrial

O Plano de Acção para Turismo Industrial apresentado pelo Turismo de Portugal pretende implementar uma rede para este segmento turístico, de modo a desenvolver uma oferta turística diferenciadora, ancorada em activos dos territórios.

O objectivo é reforçar a atractividade dos territórios de baixa densidade e captar mercado nacional e internacional, ao longo do todo o ano, em linha com a ET 2027. “Este é um conceito de indústria viva, que agora se pretende estruturar e qualificar, contribuindo para a diferenciação da oferta ao envolver empresas com produtos e marcas nacionais, algumas com uma expressiva capacidade exportadora, e a sua partilha através da experiência turística”, considera Rita Marques.

A secretária de Estado do Turismo avança ainda que “no caso do património industrial, está ainda em causa a preservação da identidade dos territórios e a valorização de antigos processos industriais, como as minas e a conserveira”. A criação de uma rede de Turismo Industrial engloba uma actuação concertada com os agentes públicos e privados dos territórios, privilegiando uma abordagem nacional que permita ganhar escala e notoriedade.

Até 2022 serão desenvolvidas acções no âmbito dos Recursos, Produto e Promoção e Venda, assim como no modelo de gestão, o qual prevê a constituição de um Grupo Dinamizador e a celebração de um Memorando de Entendimento entre os parceiros aderentes. Destaca-se o levantamento e caracterização dos recursos associados à indústria viva e ao património industrial, a capacitação dos agentes, melhoria das condições de visitação, implementação de um certificado e identificação de programas e circuitos para venda a turistas.

Desde que tenham subjacente uma abordagem em rede, uma oferta inclusiva e com práticas sustentáveis, os projectos de valorização deste segmento turístico vão poder recorrer a financiamento através do Programa Valorizar, Linha de Apoio ao Desenvolvimento de Produto, que será aberta a curto prazo. No segundo semestre de 2020 será criada uma plataforma digital, agregadora da oferta, complementada por acções de promoção internacional. Em 2021 será implementado um sistema de monitorização.

“Identificámos uma oportunidade de alavancar uma dinâmica já iniciada por municípios e empresas da denominada ‘indústria viva’, no sentido de consolidar uma rede de oferta nacional capaz de captar mercado nacional e internacional. Este é um produto que tem vindo a ser desenvolvido na Europa, particularmente focado na dimensão do património industrial que, apesar de representar em si um nicho de mercado, acreditamos ter potencial para reforçar a atractividade turística dos territórios”, considera Luís Araújo, presidente do TP.

O Turismo Industrial tem vindo a consolidar-se em Portugal através de uma oferta suportada em visitas a fábricas em laboração, a equipamentos museológicos ligados a antigos complexos industriais e a um ‘saber fazer’, complementadas com experiências de contacto com os produtos e processos produtivos. São várias as empresas e municípios do país que dinamizam iniciativas destas, contribuindo para um melhor conhecimento da produção nacional.