Turismo ganha corrida à construção civil no mercado de trabalho juvenil

O turismo, nomeadamente a restauração e a hotelaria, está a roubar mão-de-obra jovem à construção civil, revela o sociólogo João Teixeira Lopes. Em declarações à Lusa, o especialista considera que este sector está a ganhar a corrida à construção civil em Portugal no mercado de trabalho juvenil, que olha para o turismo como algo ‘fixe’ e valorizador, referindo-se a uma geração “capaz de mudar o mapa do trabalho em Portugal”.

“Se olharmos para o universo da construção civil em Portugal encontramos muitas empresas pequenas que operam no âmbito da subcontratação e que têm uma grande vantagem para as grandes obras, que é a flexibilidade, encontrando rapidamente mão-de-obra adequada, mas cuja angariação é feita pelo conhecimento, não por critérios impessoais”, disse o académico.

No entanto, para os jovens, há o turismo e a restauração, que “oferecem hoje salários equivalentes, com uma valorização social diferente e que, apesar de ser também um trabalho duro e tendencialmente precário, está num ambiente cosmopolita”, afirmou.

Enfatizando o contexto promotor do “conhecer pessoas de diferentes nacionalidades, com a possibilidade de receber gorjetas”, João Teixeira Lopes acrescenta que os jovens gostam de “ser reconhecidos pelos seus pares como alguém que está num emprego ‘fixe'”.

E com o turismo como “um indicador de modernidade, de cosmopolitismo”, o sociólogo concorda estar a emergir uma “geração capaz de mudar o mapa do trabalho em Portugal”, em particular “se continuarmos a ser um país em que as exportações crescem graças ao turismo, que já representa um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) e a tendência é para crescer”, adiantou.